quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O impacto da cultura hacker no jornalismo

Texto copiado do site AGEX – UniRitter, pelo link:
http://agex.uniritter.edu.br/2015/12/23/o-impacto-da-cultura-hacker-no-jornalismo/#more-132

Segue o texto na integra:

Hacker ativismo, software livre e transparência de dados. A indústria da notícia passa por um período parecido com o da era pós-Gutemberg e é motivo de disputa pelo vasto mundo da internet. Nesta entrevista com o professor do curso de História e da Faculdade de Comunicação Social da UniRitter Walter Lippold, especialista na área de tecnologia, conversamos sobre cultura hacker, software livre e transparência de dados.
Por Liliane Pereira
Núcleo de Jornalismo da Agex

O que é ser hacker?
Walter Lippold: É preciso desfazer o mito ou essa deturpação que se faz a respeito do hacker. A origem etimológica da palavra hacker significa alguém que se aprofunda em algo, que sabe sobre. Os hackers surgem nos anos 70, 80, principalmente no sistema Unix. Eram pessoas que amavam computadores, entendiam de guias de programação e produziam programas. O sistema Unix é um sistema que até hoje é usado, ele é a base do Linux, por exemplo. Esse sistema permitia uma colaboração entre os usuários, então se criou uma comunidade de pessoas interessadas chamadas de hackers.
Hoje o termo hacker está muito ligado ao crime cibernético. Tu falas em hacker e as pessoas pensam em clonadores de cartão. Na verdade existe uma classificação: hacker é aquele indivíduo que conhece computadores, que programa, que cria softwares e que geralmente quando ataca um sistema é para ver a vulnerabilidade dele. Normalmente se faz isso dentro de uma empresa. Ele mostra para o administrador que a falha é naquela porta, naquele lugar e não faz nada além disso, apenas mostra a falha através de programas que muitas vezes ele mesmo cria.
Já o cracker geralmente age de modo ilícito, é contratado por empresas de espionagem industrial, ele pode ser um terrorista, um cybercriminoso. O cracker gosta de vandalizar, ele entra em um site para acabar com ele. Nessa linha também se inclui os clonadores de cartão e os hackers de telefonia tanto analógica quanto celular.
Os vírus lovers são os que criam vírus, podem ser contratados pelo governo ou até por empresas que queiram criar vírus novos para testar vacinas. E tem os lamers, que usam programas rápidos para invadir redes sociais e utilizam os conhecimentos para coisas pequenas, estes são mal vistos pelos hackers. É um cara que invade a rede social de alguém, mas não sabe programar. Há muitos tipos de hacker, mas a definição fiel é aquela pessoa que sabe de computador e entende disso.
Até Steve Jobs já foi considerado hacker. No entanto, com o Windows e o caminhar dos softwares de sistema operacional, foi se criando o que chamamos hoje de software proprietário. Ou seja, um sistema em que não se tem acesso ao código fonte, e isso vai indignar os hackers. É quando surge a ideia do software livre e o sistema Linux. A grande sacada do Linux é que ele tem o código aberto. O objetivo é criticar o software proprietário.

 

     Walter Lippold concede entrevista a Leandro Olegário após palestra na Semana de Jornalismo Avançado realizada no campus Fapa da UniRitter em setembro de 2015 – Crédito: Mirella Silva


Como funciona o software livre?
Walter Lippold: A tese dos verdadeiros hackers é de que o software como produto humano é fruto da colaboração de muitas mentes. Quando tu crias algo novo, tu estás bebendo de muitas fontes se levares em consideração todas as pessoas que contribuem para o conhecimento coletivo. Então por que fechar o código fonte de um sistema novo? O Linux está imbuído nessa crença de que a cultura colaborativa é o futuro da humanidade. Há uma filosofia por trás do software livre. Existe um trabalho de conclusão de curso de jornalismo em forma de documentário chamado Improprietário, que em termos de conteúdo é muito bom, pois são entrevistados os “papas” do software livre.



Há um ano, por exemplo, a bolinha do mouse do Linux Ubuntu não tinha a mesma precisão do Windows, e as pessoas começaram a reclamar. Então os hackers desenvolveram uma solução e disponibilizaram para todos. Essas pessoas fazem porque querem, porque amam e gostam da informática e dos computadores e principalmente amam a liberdade de conhecimento. Eu não posso me apropriar de algo que não é meu, fechar aquele código e dizer que é só meu. É graças a esse sistema aberto que as pessoas conseguem colaborar. Outro documentário interessante de assistir é o que conta a história do Linux.



O Unix era aberto, até que a empresa que o fazia fechou o sistema. Revoltados, os hackers resolveram criar um sistema próprio e criaram o GNU (Guinu is not unix) e o Linux. Se tu és um programador, tu podes adaptar o Linux para o teu tipo de trabalho. Existe a distribuição de Linux e algumas são pagas, porque software livre não quer dizer software grátis, quer dizer que o código dele é aberto e qualquer um tem acesso. Se tu és um programador tu entendes tudo que está ali, logo, não tem como colocar uma linha maliciosa. Já no Windows tu não sabes. Alguns hackers estão dizendo que o Windows 10 varre o HD do usuário. Que tudo que é colocado no teu HD é de conhecimento da Microsoft. O sistema é uma colcha de retalhos e tu não tens acesso ao que está lá dentro. Não é a toa que os militares usam Linux. Imagina se eu sou do Exército Brasileiro e vou usar Windows lá dentro, se eu não sei nem o que tem no software. Se entrássemos em guerra com os EUA seria um desastre. A Microsoft estaria ao lado de quem? Os bancos usam Linux porque é seguro, é aberto e tu podes adaptar.

É possível criar um software a partir do Linux e vender?
Walter Lippold: Sim. O fato de ele ser um software livre não quer dizer que tu não possas vender o Linux. Eu posso fazer uma versão para jornalistas, por exemplo, com banco de dados, acessos a uma série de softwares úteis para a profissão. Não tem problema, tu podes cobrar, o que não pode é fechar o código. No software livre tu podes criar algo novo a partir daquele sistema, mas tu não podes fechar o código. Tu podes aprimorar o sistema desenvolvido por alguém e vender teu trabalho, sem fechar o código, e não precisa pagar nada para quem desenvolveu o software antes de ti. Isso é cultura hacker, e é isso que desmistifica o hacker como cybercriminoso. No entanto, existem hackers que são mercenários, como qualquer outro tipo de profissional. Um bom exemplo é o Popcorn, um site em que se pode assistir filmes gratuitamente sem pagar pelos direitos autorais. Por enquanto ele não é ilegal, mas vai se tornar porque os advogados de Hollywood estão em cima. Já o Netflix não é de graça, logo, os direitos autorais são pagos.

Como o hacker ativismo atua na transparência de dados?
Walter Lippold: Podemos abordar o assunto falando sobre Julian Assenge. É ele quem cria a questão do hacker atuando na transparência de dados. E aí vem o movimento da criptografia que prega a transparência para os governos e anonimato para as pessoas comuns. Ele é membro do WikiLeaks que é contra o fato de que o governo ou qualquer empresa tenha acesso ao teu computador, vendo o que tu gostas, varrendo tuas informações e fazendo um banco de dados com a tua pessoa. Eles defendem que o indivíduo não tem que estar sendo inquirido pelo governo a não ser que cometa um crime. Da mesma maneira que funciona para o banco, onde existe um sigilo que só pode ser quebrado mediante pedido judicial, para as questões pessoais deveria ser assim também.
Na criptografia eles também vão desenvolver softwares para criar o anonimato, entre eles o Tor, que é o software que dá acesso a Deep Web. Nessa área, temos um programa muito interessante para jornalistas que é o Tails, que pode ser executado em DVD ou em um pen drive, é só instalar em um deles e colocar no computador. Então a máquina vai rodar a partir do acessório com o sistema operacional Debian, que é um tipo de Linux, e através do Tor. Assim, o usuário será totalmente anônimo, ou pelo menos muito melhor protegido que em uma conexão normal. Se tu és um jornalista na Síria, na guerra, em uma ditadura, ou tu estás pesquisando uma empresa coorporativa perigosa, ou que tenha algum problema contigo, o programa é muito útil. Esse é o lado que as pessoas não veem quando falam em hacker. Em Porto Alegre tivemos um encontrão hacker há dois anos e aconteceu uma “cripto party”, quando os hackers se reúnem e desenvolvem softwares de criptografia, de defesa do usuário. Outra coisa que eles fazem é instalar Linux para as pessoas de graça, além de ensinar o básico do sistema. Sobre esse assunto, eu recomendo que se leia o livro Cypherpunks de Julian Assange.

Como tu enxergas a questão da vigilância do governo em relação aos cidadãos comuns?
Walter Lippold: É uma questão que podemos falar usando como exemplo o caso Snowden. Quando Edward Snowden era um consultor de segurança digital da NSA (National Security Agency) nos EUA, ele falou que existe um projeto mundial de controle e vigilância dos dados. E hoje é muito barato manter esses dados armazenados. Custa em torno de 30 milhões de euros por ano, o que para um país não é nada. É possível manter todos os dados de computadores e telefonia de um país como a Alemanha. Qualquer coisa que o indivíduo faça, será fácil de buscar como se fosse um “super google” da vida do indivíduo.



Nós estamos vivendo nesse momento, guardadas as proporções, talvez um pouco do que se viveu na Era pós-Gutenberg. Quando Gutemberg criou a prensa mecânica ele criou uma galáxia, como diria Marshall McLuhan, um mundo novo de difusão do conhecimento, de autonomia intelectual, de interpretação privada da leitura, de criações sobre novas visões sobre o mundo. A igreja não estava feliz com isso, por isso criaram o Index de livros proibidos. Naquele momento eles cumpriam um papel de censura, e agora nós estamos vivendo a mesma coisa a partir da criação de uma nova tecnologia na internet. Então o que quero dizer é que essa nova tecnologia funda um mundo novo também através da internet.
Quando Shawn Fanning criou Napster nos anos 90, foi o primeiro serviço P2P em que tu podias baixar mp3. A indústria fonográfica ficou louca e processou Shawn. Ele era um usuário programador que sabia fazer bem as coisas, criou uma tecnologia que derrubou a anterior, e isso não tem mais volta. A indústria se assusta, a mídia se assusta. A mídia impressa, por exemplo, está apavorada com o mundo digital e todo o processo que estamos vivendo hoje. Mas o que nos impressiona é isso, um sistema mundial de vigilância. Teu smartphone é um GPS que pode te localizar, tu tens câmeras, tu tens microfone, então um hacker pode facilmente chegar a ti. Se um hacker mediano pode fazer isso de casa, imagina um agente do FBI. Então é por isso que de certa forma as pessoas enxergam o hacker como criminoso. Na verdade, um hacker é uma pessoa como qualquer outra, jovens principalmente, muitos são hacker-ativistas. Nos defensores do software livre temos ativistas de direitos humanos, feministas aprendendo e usando a tecnologia pra libertação da mulher e defender a questão de gênero, entre outros. Esta é uma apropriação revolucionária dessas tecnologias. Claro que o sistema não aprecia muito porque ele está imbuído nessa questão do controle da informação.

Como tu achas que a internet influencia na vida das pessoas?
Walter Lippold: Eu vejo a internet como uma coisa bem contraditória nesse sentido porque é um mundo maravilhoso que nos permite autonomia intelectual, acesso a artigos, a filmes e outros. No entanto, é muito alienado o uso que se faz da internet e o próprio usuário se expõe. Nas redes sociais o usuário fala tudo a seu respeito, onde está, coloca foto da sua casa ou onde viaja. Então nós mesmos já estamos dentro dessa concepção do espetáculo, e a mídia trabalha essa questão do espetáculo. Se tu vais viajar, não importa o lugar, importa a foto que tu vais colocar nas redes sociais para impressionar tua família e teus amigos. Então, na verdade, eu vejo que estamos no mundo não só do espetáculo como da vigilância. Nós mesmos como indivíduos já nos internalizamos como nosso próprio repressor, e nós mesmos nos expomos nesse sentido. Então a grande contradição do acesso à mídia total é o que Pierre Bourdieu fala a respeito do mostrar ocultando. O exemplo mais clássico é o Big Brother Brasil. O termo Big Brother vem de um livro de George Orwell chamado 1984, onde existe uma distopia, um futuro tenebroso em que há uma entidade chamada “Grande Irmão” que controla todo mundo. Tem câmeras por tudo e tu não podes fazer nada sem o olhar do Big Brother. A grande maioria das pessoas que veem Big Brother não leu Orwell e não sabem o que significa nem de onde vem essa expressão. E tudo que o autor criticou no livro se reproduz no programa usando o nome que ele criou: O Grande Irmão. Isso quer dizer que a mídia mostra ocultando. Então, de certa forma, podemos dizer que a internet tem isso também.
E digo que nós estamos vivendo uma conjuntura parecida com a era pós-Gutemberg porque temos controle x democratização. A cada mídia que surge se coloca essa dicotomia: democratização x controle da informação. E os hackers, embora muitos sejam criminosos, acabam militando pela democratização do conhecimento. É interessante saber que os cyber criminosos estão combatendo sites pedófilos na Deep Web, rastreando IP’s e expondo para a polícia, por exemplo. Então quer dizer que os mesmos que roubam cartões de crédito, invadem sites e vandalizam, são também as pessoas que combatem a pedofilia. Logo, é muito relativa essa noção de hacker.
Eu indico uma série chamada Mr. Robot que conta a história de um homem que trabalha em uma empresa durante o dia, e de noite ele “hackeia”. O personagem frequenta uma psicóloga sobre a qual ele sabe tudo através da internet. Ele sabe o que ela consome na web e as relações que ela tem na rede. Então, enquanto ela tenta impor para ele a psicologia, ele sabe muito mais dela através da internet.

Na tua opinião, como a cultura hacker influencia na vida das pessoas?
Walter Lippold: Eu vejo que essa influência é mais cultural do que realmente hacker ativista. As pessoas dizem que o Linux é ruim, que usaram uma vez e nunca mais querem usar. Isso significa que o Windows é um vício. Dizer que o Linux é ruim é um mito. Eu tenho o Linux Ubuntu há dois anos em casa sem travar nenhuma vez. As pessoas dizem que o Linux não roda todos os programas, o que é um equívoco. Poucas pessoas sabem que o filme Avatar, por exemplo, teve muitos gráficos rodados em Linux. Então se um filme daquele porte foi rodado em Linux ele pode rodar qualquer coisa. Existe também um programa do Linux chamado Wine em que tu emulas o Windows e pode rodar todos os programas dele no Linux. Então, na verdade, essa rejeição é mais uma questão de alienação. Eu tenho uma tese de que o Windows permite a pirataria. Eles preferem que o usuário tenha um Windows pirata do que tenha Linux, pois em algum momento vai acontecer a compra de algum produto do Windows. E mesmo que tu não compres nada, estará na plataforma deles. A cultura hacker não influencia tanto na vida das pessoas ainda por causa dessa alienação.
Em geral, pessoas que não são ligadas ao movimento do software livre e usam o Linux são pessoas que sofreram algum tipo de perseguição na internet. Porque aí elas se dão conta de que o Windows é um sistema operacional falho. Em termos de segurança o Linux é insuperável, mas as pessoas preferem o Windows por causa da comodidade.

Qual a maior colaboração da cultura hacker com o jornalismo?
Walter Lippold: O maior impacto no jornalismo é a transparência de dados que tem conexão com a  WikiLeaks, e o Julian Assange é um nome chave nesse assunto. A grande questão também é a vinculação de mídias, de empresas e de jornais que vão trabalhar junto com a WikiLeaks para minerar esses dados. O que está em jogo é o acesso aos dados. No escândalo do caso Cablegate, que é uma das documentações que estão expostas na WikiLeaks, tu tens acesso à documentação da diplomacia dos Estados Unidos, um acesso que os jornalistas nunca tiveram. Então, por acessar a fonte de forma direta é possível notar como cada jornal trabalha a informação e produz o texto jornalístico. O jornalista atua muito nessa área da interpretação do dado e em elencar aquilo que é mais importante para a população.
O livro Cypherpunks, de Julian Assange, por exemplo, fala disso. E aí é possível ver também a mídia alternativa atuando com a mídia tradicional. O maior impacto da cultura hacker e da WikiLeaks é que ao disponibilizar a base documental da publicação, o que a maioria dos jornais não fazem, se cria o jornalismo Creative Commons que diz: a fonte está aqui, pode usar a vontade. Quando tu lês o texto e tem acesso à fonte, tu percebes que, de acordo com a interpretação feita, tu tens a posição política daquele jornal ou daquele indivíduo. O livro trás uma questão importante que diz que tendo acesso às fontes permitimos que dezenas de veículos e jornalistas independentes ou não, ativistas e usuários se apropriem da documentação da fonte e também se tornem provedores de jornalismo de qualidade. Nesse conceito existe uma noção hacker intrínseca na maneira como a WikiLeaks pratica o jornalismo.
Se por um lado a organização se alia a veículos tradicionais da mídia, assim como a veículos alternativos, por outro, ela incentiva a disseminação de conteúdos livres fora dessa indústria. E a indústria da notícia hoje é uma das principais trincheiras na disputa pelo vasto mundo da internet. Aí está a grande noção hacker e aí vemos que a questão da segurança do jornalista é secundária perante isso. É importante citar que o documento que serve como fonte também pode ter sido forjado ou ter a sua visão de mundo impressa ali.
Para o estudante de jornalismo isso também é maravilhoso, porque se ele estiver imbuído em uma formação de qualidade ele vai notar como é que se produz o jornalismo por dentro. Da fonte, à interpretação, ao levantamento de todos os dados até a tabulação dessas informações. Esse é o impacto da cultura hacker no jornalismo. Ser hacker é um pouco como ser jornalista. Ter curiosidade, ir atrás das fontes, mostrar o que o público precisa ver e que muitas vezes governos, empresas e corporações escondem.



Outro livro que eu indico é o Blackwater, de Jeremy Scahill. O autor é da radiotelevisão e escreve na revista The Nation. No livro, ele investiga uma corporação que é a maior empresa de mercenários do mundo. Indico também livros de Joe Sacco que usa os quadrinhos para publicar grandes reportagens. Eu tenho ficado muito feliz porque o jornalismo tem entrado em conexão total com essa noção hacker de transparência da informação tanto da fonte quanto do texto.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

sábado, 10 de outubro de 2015

A Corporação (2003) - Versão completa

Ótimo documentário para entender como funciona a política atual e sua relação com o capital e grandes empresas..
Apesar de não ser orientado a gravadoras e música, é super relevante para entender qual é a mentalidade desse tipo de corporação.




Para saber mais: http://www.thecorporation.com/

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Desmistificando JACK - Um guia para começar a usar o JACK



JACK é um software de roteamento de áudio. Com ele você pode enviar e receber áudio de qualquer lugar para qualquer lugar: entre softwares, entre software e hardware, dentro do software, etc etc etc. Para quem esta acostumado com o I/O limitado do ProTools ou Logic, é um alivio.

Na verdade, aprender ele é um ótimo começo para quem esta querendo se libertar do ProTools, Logic e etc.

JACK + Ardour é uma dupla que tem conseguido cada vez mais adeptos e ajudado quem quer produzir musica livre e de fato largar essas plataformas "standards" do mercado. Não só isso, finalmente viabiliza a transição de MAC/Windows para o Linux, dando total liberdade de fazer o que quiser, como quiser, quando quiser.

Infelizmente o texto esta em inglês, mas pretendo traduzi-lo assim que possível.

http://libremusicproduction.com/articles/demystifying-jack-%E2%80%93-beginners-guide-getting-started-jack


terça-feira, 31 de março de 2015

El Efecto - A Cantiga É Uma Arma (2014)

por Teo Oliver

 

O disco traz 2 faixas inéditas e 4 releituras de músicas antigas. Ao contrário do que muito artistas fazem em suas releituras, que nada mais são que uma reciclagem das próprias músicas na tentativa de dar manutenção do "sucesso" sem arriscar nada novo, as releituras do El Efecto de fato apresentam um rearranjo das músicas, com novos instrumentos, novo clima, nova intenção, dando aquela sensação gostosa do novo, do fresco, mas também nos traz uma lembrança do como elas eram anteriormente.

Baseado em instrumentos acústicos, os arranjos se apoiam em ritmos tradicionais Brasileiros e de outros povos do mundo, com influencias de moda de viola, forro, pagode, milonga, baladas portuguesas, flamenco dentre outros.

Como sempre, o El Efecto traz a parte instrumental das musicas muito bem pensadas e arranjadas junto com letras engajadas com poesia de extrema beleza.

Outro ponto forte do disco e que me chamou muito atenção ja na primeira ouvida, é a mixagem e finalização creditados a Gustavo Loureiro pela mixagem e Tomás Alem pela Masterização.

Além da experiência sonora maravilhosa, o conjunto das músicas faz um ótimo retrato do que é o Brasil e dá voz a um pensamento critico de luta que nos é tão importante no nosso pais. 
"Trata-se de uma homenagem à tradição das canções populares de luta."*
Esse e todos os outros discos do El Efecto estão disponíveis para download no site deles, deixo o link a seguir:
http://www.elefecto.com.br/musicas/index.php 

*Frase retirada do Release do El Efecto sobre o quarto disco.


Mais do El Efecto no CantoDoMundo:

Entrevista - El Efecto
http://www.cantodomundo.com/2012/11/cantodomundo-entrevista-el-efecto.html

Como Lixo e Outdoor
http://www.cantodomundo.com/2013/01/como-lixo-e-outdoor.html

Pedras e Sonhos
http://www.cantodomundo.com/2012/09/el-efecto-pedras-e-sonhos.html

O Encontro de Lampião e Eike Batista
http://www.cantodomundo.com/2012/04/el-efecto-o-encontro-de-lampiao-com.html

3 Pratos de Trigo para 30 tigres tristes
http://www.cantodomundo.com/2011/06/el-efecto-3-pratos-de-trigo-para-30.html

Homenagem a Banda feita por Laura Ibiapina
http://www.cantodomundo.com/2014/02/homenagem-banda-el-efecto-por-laura.html