terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cópia e Compartilhamento

por Teo Oliver


No texto “A Obra de Arte Na Era Da Reprodutibilidade Tecnica” escrito em 1936, Walter Benjamim fala sobre o valor da obra de arte, num momento que a cópia ou reprodução dela pode ser feita de uma maneira mecanizada e passa a ser idêntica à original. Quer dizer, a discussão sobre o valor da cópia já vem de muito tempo, não é exclusivo de hoje em dia.

Segundo ele, nesse contexto: “O que murcha na era da reprodutibilidade da obra de arte é a sua aura.”

Aura de um obra de arte é o valor emocional, energia ou sentimento que ela causa ao ser vista, apreciada, absorvida…

A meu ver, essa aura esta ligada à interpretação ou experiência do observador ao se deparar com a obra, ou seja...a Mona Lisa tem a sua importância, tem essa energia, essa aura, por conta de sua historia, mitos e etc...se no Louvre for exibida uma cópia idêntica não existiria diferença pois, a aura esta na ideia do objeto, e não no objeto em si.


“O processo é sintomático, o seu significado ultrapassa o domínio da arte. Poderia caracterizar-se a técnica de reprodução dizendo que liberta o objecto reproduzido do domínio da tradição. Ao multiplicar o reproduzido, coloca no lugar de ocorrência única a ocorrência em massa. Na medida em que permite à reprodução ir ao encontro de quem apreende, actualiza o reproduzido em cada uma das suas situações.”(Walter Benjamim)


A cópia ou reprodução descola a obra de arte do seu âmbito original possibilitando interagir com ela em varias condições que não apenas as intrínsecas ao contexto do original. Podemos ouvir uma música utilizada num ritual de candomblé em casa ou uma orquestra dentro do carro.

Claro que os originais, por exemplo, na esfera musical, ainda tem uma energia diferente pelo fator “ao vivo” (na verdade estipular o que é o original já é bem complicado, mas essa discussão fica para um próximo texto, neste momento considero como sendo original estar de frente com os músicos tocando ao vivo).

Ir num show ou assistir uma orquestra é diferente que ouvi-los em sua casa, os porquês disso são discutíveis, mas eu entendo que a diferença esta no espaço…no som do ambiente, na sensação de estar neste determinado lugar, nas nossas interações sociais com ele e com quem dividimos esse momento.

Temos que perceber também que a nossa sociedade, até pouquíssimo tempo atrás, media o valor das coisas pela exclusividade...ou seja, quanto menor o acesso maior é o valor da obra.

Apesar disso com as novas tecnologias, não só de reprodução, mas de compartilhamento e até mesmo de produção, a situação muda.

A partir de agora, a mentalidade é outra, tendo como palavra chave, compartilhamento.

Compartilhamento esse, que é feito justamente a partir da cópia.

Com a digitalização do mundo, principalmente no mundo artístico, os autores temos como interesse difundir a nossa obra, trocar informações e conteúdo, processar, remixar, repensar tudo isso, criando a partir dai uma aura diferente para a obra, podendo transforma-la numa aura/obra completamente nova, apesar de ter sido composta por pedaços de varias outras.

Pensando a historia com mais cuidado, é possível perceber que, na verdade, essa pratica não é atual, a evolução da arte como um todo, sempre foi assim. A arte, bem como as ciências e tantos outros diferentes métodos de interação com mundo, tem sua evolução na construção e desconstrução, na remodelagem, por tanto, usando um termo mais moderno, na remixagem.

Assim, o conceito de "Aura" volta a ser rediscutido de um forma totalmente diferente, pois a cópia para de ser vista como uma falsificação, ou com um menor valor atribuído mas pelo contrario, essa cópia, quando transformada, pode até mesmo ter um valor agregado, apropriando-se de uma aura nova, original e interessante.

Foto 1: Banksy by Jan Slangen
Foto 2: Banksy by Jan Slangen

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