segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Conteúdo Livre - Música, Software e Cultura

por Teo Oliver


Outro dia um amigo meu mostrava o Linux para sua mãe, comparando com o Windows, mostrando as suas vantagens com relação a outros sistemas operacionais…até ai tudo ótimo, a mãe dele achando o máximo, achou super bonito, fácil de usar e perguntou quanto que custava para colocar no computador dela…foi ai que veio o problema. É de graça...!

Ele disse que o Linux é distribuido de graça e tentou inicia-la nos conceitos de software livre, código aberto, colaborativismo, compartilhamento e etc….

A senhora sua progenitora, seguindo a lógica de mercado e sociedade atual, não acreditou...ficou com o pé atras, achou que de alguma forma perversa estavamos sendo enganados, a final, como um produto de qualidade comparável a outros privados e caros, poderia ser distribuído de graça não é mesmo?

O mundo não é mais o mesmo que o das nossas mãe e pais, pelo menos no que tange o software, informação e cultura. Existem milhões de exemplos que mostram que ganhar dinheiro diretamente com a venda de conteúdo em geral já não faz tanto sentido assim.

Ai vem a pergunta, mas então como esse pessoal todo ganha dinheiro?...Realmente a pergunta é complicada, bem como a sua resposta, mas mesmo assim vou ousar responde-la com simplicidade, deixando para trabalhar esse tema num próximo texto, com mais dados e exemplos concretos.

Os programadores de software livre ganham dinheiro, por exemplo, justamente fazendo programas que se encaixem perfeitamente nas necessidades de um contratante, na maioria dos casos, se utilizando justamente de programas de código aberto e livre adaptando-os. Sistemas abertos favorecem esse tipo de atuação, o que é ótimo para quem cria, modifica e/ou trabalha com esse tipo de ferramenta.

Não é a toa que o Linux é um dos softwares mais usados em empresas, incluse das gigantes do mercado como por exemplo a Toyota nos seus carros inteligentes, AMD, Intel, servidores de empresas como google, facebook, twitter, amazon, e-bay e assim por diante. (Isso mesmo, o mesmo google, facebook e twitter que voce usa todo dia).

Na música, os artistas que liberam a sua música, podem ganhar dinheiro fazendo shows, dando aulas, realizando workshops e muitas outras atividades relacionadas a arte (produção musical e de shows, trilhas sonoras, engenharia de som e etc)…Na verdade, isso sempre foi assim, a porcentagem de dinheiro vindo da venda de músicas sempre foi infima, executando músicos/empresarios globalizados e com um investimento massivo de dinheiro como os fenômenos voláteis da música pop, bandas de rock dos anos 80 e 90 etc.

Como disse acima, essa é uma resposta simplista, mas que pretendo trata-la com mais cuidado em próximas oportunidades, dando exemplos e argumentos mais estruturados, especialmente na parte musical.

Além das áreas da computação e música, vale lembrar que muita gente que também extende essa filosofia da informação livre para outras areas: jornalismo, como é o caso da blogosfera (que diga-se de passagem, tem qualidade infinitamente superior aos jornais e televisões consagrados), autores e professores que liberam seus livros e teses para serem baixados sob licenciamento em Creative Commons ou Copyleft. Todos eles pagam as contas se utilizando de novas formas, ferramentas e condições de trabalho, levando uma vida sem grandes prejuízos monetários, muitas vezes pelo contrario, fazendo bastante dinheiro.

O que quero concluir neste texto, é que fazer software, informação, cultura, música ou qualquer conteúdo livre ou seja, (no mínimo) download e compartilhamento liberados, não entra em conflito com ter um emprego e sustentar uma vida confortável, por assim dizer.

Apêndice:

GNU General Public License (Licença Pública Geral):


Em termos gerais, a GPL baseia-se em 4 liberdades:
1. A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)
2. A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
3. A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).
4. A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles (liberdade nº 3). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

http://pt.wikipedia.org/wiki/GNU_General_Public_License

Creative Commons:


Atribuição. Você permite que outras pessoas copiem, distribuam e execute sua obra, protegida por direitos autorais – e as obras derivadas criadas a partir dela – mas somente se for dado crédito da maneira que você estabeleceu.

Uso Não Comercial. Você permite que outras pessoas copiem, distribuam e executem sua obra – e as obras derivadas criadas a partir dela – mas somente para fins não comerciais.
Não às Obras Derivadas. Você permite que outras pessoas copiem, distribuam e executem somente cópias exatas da sua obra, mas não obras derivadas.

Compartilhamento pela mesma Licença. Você pode permitir que outras pessoas distribuam obras derivadas somente sob uma licença idêntica à licença que rege sua obra.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Creative_Commons

Copy Left:



Copyleft é uma forma de usar a legislação de proteção dos direitos autorais com o objetivo de retirar barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa devido à aplicação clássica das normas de propriedade intelectual, exigindo que as mesmas liberdades sejam preservadas em versões modificadas. O copyleft difere assim do domínio público, que não apresenta tais exigências. "Copyleft" é um trocadilho com o termo "copyright" que, traduzido literalmente, significa "direitos de copia".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Copyleft

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*Foto inicial do texto by believekevin

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O corpo coletivo e a morte da canção? – Luiz Tatit e Fernando Chuí



A vida em rede e a cultura musical compartilhada. O corpo em evidência e o fim da sutileza poética no contexto da música pop. A partir da conversa com o compositor e professor da USP Luiz Tatit, O programa pretende discutir de que formas o gênero canção – normalmente associado ao romantismo e a elevação do espírito – perdeu sua força na nova juventude constituída na chamada web 2.0 e como a música festiva se mantém viva no ideário musical contemporâneo.
Com Luiz Tatit e Fernando Chuí.

Palestra do módulo Tribos sem terra : juventude 2.0, de Hamer Palhares e Fernando Chuí.

Gravada no dia 1 de abril de 2011 em Campinas

by Cpfl Cultura

Obs: Muito interessante, vale a pena ver principalmente os últimos 40 ou 50 minutos, nos quais se discute sobre industria cultural, o rock brasileiro cantando em inglês ou português, sobre o significado de "gênero", composição, o valor e espaço da canção brasileira e etc...

(...não gostei do Luiz Tatit ficar falando bem da Globo...)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Carregando...



Carregando nova, vida excitante.
Por favor, espere...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tabaré Cardozo - Todo El Mundo Tiene/Todo Mundo Tem



Todo mundo tem, teve, tem ou pôde ter
Todo mundo tem, quase todo mundo deve ter

Um avó imigrante e um amigo que se foi
Um tia cabeleireira, uma conta no fim do mês
Um guarda-chuvas que nao é seu, uma irmã para cuidar
Uma história de marcianos e uma vara de pescar
E esse tipo gordo e velho que nao para de roncar

Um sogro que se empolga e começa a recitar
Um parente sedicioso e um parente militar
Uma prima que se divide, e uma rixa familiar
Um padrinho mentiroso, que te leva a debutar
E uma tia religiosa que não para, que não para de rezar

Todo mundo tem, teve, tem ou pôde ter
Todo mundo tem, casi todo mundo deve ter

Um vizinho bugiganga que em doença morreu
A historia de algum primo que nao pôde ser campeão
Um amigo que ficou rico e deixou de cumprimentar
E um bêbado, velha e mendigo que esta louco de estudar
E uma cabala infalível que não para, que não para de falhar

A vizinha que organiza a reunião de tupperweare
Um cunhado que fica bêbado e se veste de mulher
Um sobrinho karateca, um amor de carnaval
Varias noite de fracasso e uma noite de galá
E um patrão filho da puta que não para, que não para de roubar!

Todo mundo tem, teve, tem ou pôde ter
Todo mundo tem, casi todo mundo deve ter

Meio trevo num livro, um troféu num canto
Varios idolos caídos e uma carta numa caixa
Um abraço que não chega para aquele que ja não está,
Uma ferida nas costelas e uma flor no botão
E essa lagrima teimosa que nao para que nao para de sangrar

Original............................................................

Todo el mundo tiene, tuvo, tiene o pudo tener.
Todo el mundo tiene, casi todo el mundo suele tener.

Un abuelo inmigrante y un amigo que se fue,
una tía peluquera, una cuenta a fin de mes,
un paraguas que no es suyo, una hermana que cuidar,
una historia de marcianos y una caña de pescar.
Y ese tío gordo y viejo que no para que no para roncar.

Un consuegro que se adoba y se pone a recitar,
un pariente sedicioso y un pariente militar,
una prima que se parte, una riña familiar,
un padrino mentiroso, que te lleva a debutar.
Y una tía religiosa que no para que no para de rezar.

Todo el mundo tiene, tuvo, tiene o pudo tener.
Todo el mundo tiene, casi todo el mundo suele tener.

Un vecino boxindanga que en la llaga se murió,
una historia de algún primo que no pudo ser campeón,
un amigo que hizo guita y dejó de saludar,
y un borracho, vieja y pichi que está loco de estudiar.
Y una cábala infalible que no para que no para de fallar.

La vecina que organiza la reunión de tupperweare,
un cuñado que se empeda y se viste de mujer,
un sobrino karateka, un amor de carnaval,
varias noches de fracaso y una noche de galán.
Y un patrón hijo de puta que no para que no para de robar.

Todo el mundo tiene, tuvo, tiene o pudo tener.
Todo el mundo tiene, casi todo el mundo suele tener.

Medio trébol en un libro, un trofeo en un rincón,
varios ídolos caídos, una carta en un cajón,
un abrazo que no llega para aquél que ya no está,
una herida en el costado y una flor en el ojal.
Y esa lágrima porfiada que no para que no para de sangrar.

domingo, 11 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O que Super Mario Bros. e Vivaldi tem em comum?

por Teo Oliver

Vivaldi, por ter muitos temas parecidos, já foi acusado de ter escrito centenas de vezes a mesma música. Mas a sua genialidade se mostra justamente na forma como desenvolvia esses temas. O que poderia parecer falta de recurso na verdade é o exceso dele. Apesar de todas as críticas que recebeu, o talento de Vivaldi é inegável...

Koji Kondo, compositor muito conhecido por ter feito as trilhas da serie de jogos do Mario e Zelda, assim como Vivaldi, explora o mesmo tema musical a fundo, se utilizando de muitas formas de variações e soluções. Por exemplo no jogo Super Mario World, Kondo vai de maior para menor, passa de um Ragtime para uma Valsinha, muda os arranjos de acordo com o que narrativa pede, demonstrando um domínio musical impressionante. Com muito bom gosto, ele envolve o jogador causando diferentes reações, enriquecendo a experiencia do jogo.

Kondo assim como Vivaldi soube usar seu dominio harmônico e melódico para construir uma obra monumental.

Na música erudita, é normal (se não fundamental) que dentro da mesma peça exista justamente esse tipo de variação como às vistas ao longo do jogo.

No video abaixo, é possível ver e entender como soam e ocorrem essas variações. Talvez, a partir da análise de uma trilha sonora que todos nós conhecemos, fica mais facil entender outras composições clássicas que muitas vezes achamos chatas, nos convidando a ouvi-las com outros ouvidos.




Bônus:

Umas das composições mais famosas e bonitas de Vivaldi: Winter/Inverno de As Quatro Estações.