quarta-feira, 4 de abril de 2012

Licenciamento flexível e os novos canais de distribuição de música


Texto retirado do site Cultura Livrepor CTS e blog do projeto Estrombo (CTS/FGV, Sebrae, BID e Facebook)


Dentre as mudanças que acontecem na cadeia produtiva da música em decorrência de avanços tecnológicos, uma consiste nas novas maneiras de licenciar os usos da produção. Através de licenças públicas como a Creative Commons, por exemplo, o artista pode estipular e comunicar previamente os usos permitidos à coletividade, de acordo com sua vontade.
por CTS

do blog do projeto Estrombo (CTS/FGV, Sebrae, BID e Facebook)
Dentre as mudanças que acontecem na cadeia produtiva da música em decorrência de avanços tecnológicos, uma consiste nas novas maneiras de licenciar os usos da produção. Através de licenças públicas como a Creative Commons, por exemplo, o artista pode estipular e comunicar previamente os usos permitidos à coletividade, de acordo com sua vontade.
Flexibilidades como esta mostram-se bem-vindas quando consideramos os novos canais de distribuição baseados na internet. Se um dos problemas apontados pela indústria fonográfica é o tráfego irrestrito e fora de controle de músicas protegidas por direitos autorais, com licenças como a Creative Commons, os artistas podem liberar determinados usos e dispor suas condições para outros usos de suas músicas (como o uso para fins comerciais, por exemplo), se beneficiando do tráfego de bens culturais digitais na rede. Hoje, são milhões os livros, imagens e obras musicais que circulam livremente pela internet através dessas licenças. Um desses trabalhos é o álbum Metá-Metá, de Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci, que vem ganhando resenhas bastante positivas ao longo do ano. Confira a entrevista abaixo com Kiko Dinucci.
Por que optar pela licença Creative Commons?
Optei pela CC por ser uma alternativa a mais, é lógico que não sou fã de ter que haver um modelo internacional pra liberar a minha obra para ser ouvida por qualquer um, mas é a melhor opção em contrapartida dos gastos dos modelos antigos de direitos autorais. Foi importante botar o selo no site, deixou as pessoas à vontade para baixar e compartilhar, para os blogs espalharem a minha arte. Minha arte foi nitidamente espalhada, meu público aumentou com isso. Fiz um show em Brasília na semana passada e a maioria do público cantava as músicas, vendi CD depois do show muito mais do que venderia em lojas, pra mim está tudo certo. A música grátis é o meu veículo, é minha rádio. Atiro minha garrafinha no mar e alguém sempre acha e lê o recado que eu deixei lá dentro.
Foi também por esse motivo, aumentar a circulação da música, que o Metá-Metá se associou ao aplicativo Bagagem?
O que mais me chamou a atenção no Bagagem era a opção de um novo formato digital, que de certa maneira recuperava a estética visual das capas dos discos e encartes. Quando o CD ganhou popularidade, era horrível ver capas como a “Sargent Pepper’s” apenas diminuídas, o CD demorou pra desenvolver a sua linguagem visual. A música digital também passa por essa crise. Achei sedutor de ter coisas visuais em volta da música, não como clipe e sim como continuação do disco. Os nossos amigos do Axial já estavam lá e ficamos fascinados com tudo e resolvemos aderir ao Bagagem. O aplicativo ajudou muito na divulgação do trabalho também, porque não era somente um disco MP3 pra baixar, tinha todo um universo lá dentro, outros grupos e tal.
Você acredita que esses novos canais de circulação e formas de licenciamento livre estão renovando a maneira de fazer negócio com música?
Tenho certeza disso, pelo menos pra mim, um artista independente, que estou acostumado a fazer por mim mesmo, sem atravessadores. Mas acredito que tudo está se renovando no mercado. As coisas “no mundo” estão mudando, muda quem quer. Na Europa, por exemplo, eles não estão acostumados em disponibilizar cultura na rede, gratuita, eles pagam para consumir cultura. A cultura livre aqui no Brasil não é 100% livre também, mesmo eu licenciando minha obra dessa maneira, você terá que pagar a rede, o provedor etc. O fato de minha obra circular livremente na rede foi o que me tirou do anonimato, tenho certeza disso. Se o único modelo fosse o dos anos 90 pra trás eu não teria gravado nenhum disco ainda. Pra mim, o licenciamento livre significa a minha única alternativa de sobrevivência, claro que gostaria de ganhar por downloads, ter cachês maiores, mas no meio de tanta crise e transformações econômicas eu estou conseguindo sobreviver. Não sei até quando, mas o movimento a favor da minha arte é crescente, lento, mas crescente.
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Como mencionado pelo músico, o aplicativo Bagagem, concebido por Felipe Julian do Projeto Axial, atualiza os aspectos visuais dos formatos musicais físicos para as redes digitais. A obra do Axial também é distribuída sob licença Creative Commons e, na semana passada, o mais recente álbum da banda ganhou também uma versão física: o livro-cd Simbiose. Felipe explica o novo lançamento como “uma certa necessidade de retorno aos objetos, como compensação à virtualização das coisas”: “O objetivo foi criar uma experiência sensorial, onde os dois produtos são independentes, mas também complementares”, contextualiza o músico. E completa ao afirmar que o CD deve ser também uma experiência artística e não um objeto descartável. Por enquanto, o livro-cd Simbiose é vendido somente pela recém-inaugurada loja online do Projeto Axial.
Entre nessa discussão. Baixe o Bagagem e conheça mais sobre as licenças Creative Commons.
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