quarta-feira, 16 de maio de 2012

Arte e Copyleft - Processos de Produção


O processo de produção na arte contemporânea está historicamente separado dos sistemas estabelecidos de produção material, industriais ou não, próprios da sociedade contemporânea. Apesar de a cada vez mais insistente ambição do sistema de arte em se mostrar como mais uma indústria cultural, os únicos indícios de uma possível indústria se limitam à exibição e comercialização de obras de arte, se tivermos em conta certas galerias e casas de leilão. Mesmo assim, no contexto do Estado Espanhol se trata de uma rede muito débil e absolutamente dependente das instituições públicas.
Por tanto, sem medo de equívoco, podemos dizer que os processos de produção de arte contemporâneos dependem quase exclusivamente das instituições públicas, em definitivo, de recursos públicos. Por essa razão, ao falar de dinheiro público, precisamente, se faz de todo necessário considerar fôrmulas de acesso aberto, de circulação livre de conhecimento, no lugar de modos restritivos de gestão e cultura. Se no mercado livre, copyleft pode propor-se como “uma” opção, no público, copyleft deveria constituir-se como “a” opção.
Com respeito à pergunta sobre como se produz arte, enquanto prática situada em nosso contexto, a resposta é muito simples por que não existem muitas opções e esta tem de ser sempre considerada sem perder de vista a remuneração do autor, que tem lugar de diferentes maneiras:
· Como norma geral, são os (as) artistas que financiam seu próprio trabalho, sabendo que dificilmente recuperarão seu investimento ou que em caso de recuperá-lo, dependerão de uma venda futura.
· Outra situação muito extensa é a dependência das instituições públicas através de bolsas, subsídios, projetos institucionais ou encomendas.
· Em pouquíssimos casos, esta remuneração se produz através do trabalho direto com as galerias, em troca de obras ou de certa margem de lucro sobre as futuras vendas, ou também através de outros tipos de relação de “trabalho”.
· Por meio dos lucros que presumidamente podem proporcionar os direitos econômicos reconhecidos na LPI (Lei de Propriedade Intelectual).
De qualquer maneira, deve-se notar que de acordo com estas “vendas” pode parecer que há um mercado sustentável, quando, na verdade, eles dependem também das instituições, as verdadeiras “madrinhas” do mercado da arte no Estado Espanhol através de museus e coleções financiadas com recursos públicos. O sintoma de tudo isso é a Feira de Arte ARCO, uma feira supostamente comercial. Mas ao analisar o volume de fluxos comerciais mostra um claro desequilíbrio entre o investimento privado e investimento público que confirma esta situação.

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