sábado, 3 de novembro de 2012

CantoDoMundo Entrevista - El Efecto

Entrevistei a banda El Efecto do Rio De Janeiro, quem acompanha o blog, ja ouviu falar muito deles por aqui. 
Agradeço muito pela atenção do Tomas e do El Efecto, eles responderam a entrevista por e-mail super rapido. Para quem não ouviu ainda, sugiro veementemente que entrem no site, baixem e ouçam tudo...vale muito a pena.


"A música não é de quem faz, mas de quem precisa!"

CantoDoMundo: Vocês estão agora tocando mais do que nunca, inclusive em varias cidades e estados, dando entrevistas e etc. Ao que vocês acham que isso é devido, ao disco novo? Ao fora do eixo? Foi apenas uma evolução natural, ja que vocês ja estão a tanto anos no meio musical? 
El Efecto: De fato, o disco novo está tendo uma boa repercussão e parte disso se deve à relativa circulação que a música "O encontro de Lampião com Eike Batista" teve. Isso tem possibilitado contatos e oportunidades novas,  mas a verdade é que nossa circulação ainda é bem restrita. Temos tocado muito em Minas Gerais, graças aos contatos com os coletivos ligados ao circuito Fora do Eixo e no Rio de Janeiro, nossa cidade. Mas ainda temos dificuldades em tocar em outros estados. 

Qual a relação de vocês com o Fora Do Eixo? Como aconteceu essa relação.
Em nossas idas à Belo Horizonte, fomos travando contato com pessoas ligadas a coletivos que, pouco a pouco, foram constituindo o circuito Fora do Eixo em Minas Gerais. Pelo fato da haver coletivos em muitas cidades mineiras e esses coletivos estarem cada vez mais articulados,  os contatos tendem a se desdobrar e, com isso, surgem novas possibilidades para tocarmos em outras cidades.  Graças a essa dinâmica, temos circulado bastante por Minas. Aqui no Rio também participamos de dois eventos ligados ao Fora do Eixo, através do coletivo Ponte Plural, da cidade de Niterói.

Vocês tem ligação com outros coletivos?
O Fora do Eixo é uma rede através da qual alguns coletivos se articulam. Ultimamente, temos tido contato com vários coletivos, algum ligados a essa rede, outros não,  como é o caso do pessoal do LeRock, da cidade de Campos dos Goytacazes,  Além disso, também temos travado contatos importantes com movimentos de outra natureza, como o Instituto Mais Democracia e o MST.

O disco novo claramente teve uma produção muito maior do que os anteriores. Ainda mais se comparado com o primeiro. O que mudou? Vocês tem um produtor agora? Se sim, de que forma ele interefere na banda? 
Do primeiro disco para cá,  passaram-se 8 anos. Naturalmente, nós evoluímos tecnicamente como músicos e adquirimos mais experiência de gravação. Além disso, realmente, houve um investimento inédito da nossa parte, de grana, tempo e dedicação à gravação e à produção desse disco  nesse sentido,  foi fundamental o encontro com Tomás Alem, responsável por gravar, mixar e produzir o disco junto conosco.

Conta um pouco de como vocês gravaram os discos anteriores e como foi o processo todo...(?)
O primeiro disco foi gravado em um estúdio caseiro, por dois amigos. O segundo foi gravado em duas partes, metade no estúdio MB, como prêmio de um festival que havíamos vencido, metade em parceria com os companheiros da Audio Rebel, estúdio que é a nossa casa aqui no Rio.

E do disco novo, como foi o processo de gravação? (estudio, mixagem, master, prensagem, etc) Vocês tiveram algum incentivo, seja por leis de incentivo a cultura, ou diretamente com particulares, ou pagaram por tudo do proprio bolso 
O Tomás Alem havia gravado duas bandas conhecidas nossas, Laranja Dub e Dos Cafundós. Ficamos admirados com o trabalho  e resolvemos gravar com ele em seu estúdio, o Músika. Ele também se interessou pelo projeto e comprou a ideia. Foi um grande encontro. Em relação à grana, não tivemos nenhum incentivo e pagamos parte do nosso bolso, parte de um dinheiro da banda que fomos juntando.

Como vocês vem essa cena independente no Brasil? Alias, o que para vocês significa ser "independente" no Brasil?
A grande dificuldade da cena independente, pelo menos na nossa experiência, é a de conseguir uma regularidade, ou estabilidade,  de circulação em boas condições de estrutura, público  e, é claro, de grana. As oportunidades são inconstantes. Mas temos total consciência de que, da mesma forma como é difícil para as bandas, é também difícil para os organizadores e produtores de eventos. 

Agora pela perspectiva de quem ouve, da platéia por assim dizer, como vocês vem esse cenario independente. As bandas são legais? Bons músicos? São bandas que tem o que dizer?
Existem muitas bandas de grande qualidade, mas me parece mais fácil encontrar algo interessante musicalmente do que em matéria de letra.

Com relação a parte de organização de shows e etc. As casas de shows e festivais tem boa qualidade de equipamentos e som? Esses festivais são bem organizados e divulgados? ....É comum que a produção desse ventos traga os equipamento que vocês pedem no mapa de palco?
Infelizmente, essa questão dos equipamentos é sempre uma preocupação e na maioria das vezes deixa a desejar. Ou então, mesmo havendo uma boa estrutura, é difícil ter uma boa condição de passagem de som. Geralmente os festivais tem que ter um ritmo muito acelerado. As próprias bandas independentes também vivem na correria e nem sempre podem chegar com a antecedência e a calma desejadas. 

Como vocês vem o cenario musical "normal" brasileiro? Me refiro ao que toca nas radios e grande mídia...
Falta angústia e perturbação!

Vocês ja conseguem viver de música no Brasil? Se sim, como é viver de música no brasil...
Não. Nem de longe! É uma alegria quando a renda da banda ajuda a pagar uma conta!

Quais bandas brasileiras atuais, independentes (ou não) vocês gostam?
Doa Cafundós. MC Marechal, Gog, Posada e o Clã, Mekanos, Racionais Mcs, 7 Quedas, Pixote.

Quem é o publico do El Efecto? E vocês acham que o publico entende a mensagem que vocês estão querendo passar? Existe muita diferença de interação do publico e banda de show para show, de cidade para cidade?
A grande circulação da música "O encontro de Lampião com Eike Batista" fez com que houvesse uma ampliação do público para além do gueto do rock. Também notamos que houve um movimento de aproximação de pessoas interessadas no conteúdo político da banda. Esse movimento de expansão nos interessa muito. Mas, em geral, acredito que o público é majoritariamente composto por pessoas habituadas a escutar rock alternativo. Agora, se o público entende a mensagem? Não temos como avaliar, esperamos muito que sim, pois isso é que nos move e nos faz manter a banda por esses 10 anos. "A música é a arma!
Vocês tem alguma estimativa de quantos downloads ja tiveram no site?
(In)felizmente não

E cds vendidos? Se possivel, o numero de vendas individual de cada cd...
O primeiro disco é muito difícil de precisar, pois nunca foi feita uma prensagem, ele foi todo manufaturado. O segundo teve uma tiragem de mil cópias que acabou e há um tempo ele também é vendido manufaturado.
O disco novo foi lançado em 26/09 e, até agora foram vendidos uns 450 discos.

A renda de vocês vem mais de ingresso de shows ou da vendo de cds e produtos relacionados a banda?
O dinheiro de vendas dos discos e das camisas ficam guardados para que possamos produzir mais discos e camisas. O que fica de renda para cada um de nós é a partilha do cachê dos shows, o que, no final das contas, é sempre pouco.

Aqui em São Paulo, é muito dificil para as bandas se apresentarem. Mais do que não receber nada pelo shows, a maioria das casas cobra pela hora de palco. Isso só muda quando você ja tem algum apoio bem grande e é (re)conhecido. Esse reconhecimento, na maioria dos casos, não tem nada a ver com a qualidade músical, ou da mensagem que a banda quer passar...Como vocês vem essa "industria" (mafia) de casas de show? Vocês tocarem pouco em São Paulo, tem a ver com isso? Vocês sentem esse tipo de problema no Brasil todo? Esse tipo de problema é mais comum em grandes capitais, ou varia de lugar para lugar?)  
Circulamos muito pouco pelo Brasil, mas imagino que seja uma questão da cena independente como um todo. Como não há público é muito difícil haver interesse por parte das casas e dos organizadores. O ideal é sempre aquele lugar que já tenha uma circulação de pessoas dispostas a ver o que for rolar, mas temo que esse lugar não exista. Se existir,  certamente não estará nas grandes capitais.

Como vocês acham que a internet e a distribuição livre de informação esta alterando a industria músical e principalmente como isso afeta vocês? 
É impossível imaginar a circulação das nossas músicas sem a internet. Como o boca-a-boca é praticamente a nossa única forma de mídia, somos beneficiados por essa rede que potencializa o compartilhamento de informações e possibilita que a música circule. Mas ainda é pouco. Os frutos do império da grana  ainda dominam e circulam muito mais. O império não é bobo e se reconstrói...

Vocês tem todas as músicas liberadas no site para serem baixadas, mas não existe nenhum tipo de indicação de como essas músicas estão licenciadas. O que vocês acham de licenças livres como o CreativeCommons ou Copyleft?
Não temos muito conhecimento sobre isso. Na nossa leiguice, a simples liberação já é o suficiente. A música não é de quem faz, mas de quem precisa!

Bônus - Outras entrevistas do El Efecto:

2 comentários:

Camilla disse...

Animal!! Não conhecia a banda , acho que mais por uma desculpa pessoal de que "nao tenho tempo pra baixar e etc", do q qualquer outra coisa. Escutei, achei libertador! Honestamente, não é a música q vou escutar num dia tranquilo, mas seguramente nos meus dias normais de trabalho faz todo o sentido.
Meu interesse em escutar surgiu na segunda pergunta, mais por curiosidade mesmo do que real admiração e respeito. Todavia, até a última linha fui sendo seduzida de maneira bem interessante e a admiracoa e respeito vieram naturalmente.
As respostas me pareceram muito honestas. E uma observação que tenho é: Pq nunca tocaram na Augusta? ook entendi a dificuldade da banda e td , mas fica a dica ;) quem sabe um dia..
A parte genial foi 'A música não é de quem faz, mas de quem precisa! "... realmente, mais nada a declarar !! genial!

teo.liz.oli disse...

Ele ja tocaram na Augusta sim...no Espaço Improprio, que hoje em dia, se não me engano, não existe mais...