segunda-feira, 30 de abril de 2012
Homenagem ao Dia do Trabalhador Parte 2
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O Emprego/El Empleo/The Employment
Homenagem ao Dia do Trabalhador Parte 3
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
Dia do Trabalhador - 1º Maio. (May Day - General Strike)
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Por Teo Oliver
"O Dia do Trabalhador ou Dia Internacional dos Trabalhadores é celebrado anualmente no dia 1º de Maio em numerosos países do mundo, sendo feriado no Brasil, em Portugal e em outros países."*
Um pouco de historia:
"Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América.
Aqui no Brasil nós emendamos o feriado, então automaticamente e meio sem querer, vamos aderir ao movimento. Mas vale a pena aproveitar o feriado para pensar sobre tudo isso ao invés de apenas curtir e continuar numa posição comoda e alienada.
É um momento importante para pensarmos sobre as nossas condições de trabalho, sobre a exploração que sofremos todos os dias, sobre a desigualdade e todos os problemas derivados desses assuntos que fazem a nossa sociedade tão injusta.
Posters:http://strikeeverywhere.net/
Tradução: CantoDoMundo
"O Dia do Trabalhador ou Dia Internacional dos Trabalhadores é celebrado anualmente no dia 1º de Maio em numerosos países do mundo, sendo feriado no Brasil, em Portugal e em outros países."*
Uni-vos!
Um pouco de historia:
Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.
Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.
Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias."*
1º de Maio.
Neste ano propõe-se uma manifestação mundial, seguindo um pouco os moldes do Ocuppy.Aqui no Brasil nós emendamos o feriado, então automaticamente e meio sem querer, vamos aderir ao movimento. Mas vale a pena aproveitar o feriado para pensar sobre tudo isso ao invés de apenas curtir e continuar numa posição comoda e alienada.
É um momento importante para pensarmos sobre as nossas condições de trabalho, sobre a exploração que sofremos todos os dias, sobre a desigualdade e todos os problemas derivados desses assuntos que fazem a nossa sociedade tão injusta.
Irmãos e Irmãs, Desafiem a Maquina e a Exploração.
Eduque.Organize. Agite. Ataque!
Um lado interessante desses movimentos, é que eles mostram que as pessoas estão inquietas e dispostas a se organizar e mostrar a nossa insatisfação com o sistema.
Talvez estejamos acordando depois de tanto tempo de sonambulismo...
Mostre a eles quem é o chefe!
Obs: May Day se torna um trocadilho devido a interpretação "Dia de Maio" ou à chamada radiotelefônica de emergência ou socorro, versão anglicizada do francês m'aider ou m'aidez, que significa "venha me ajudar". Utilizada principalmente nas navegações marítimas e aeronáuticas, faz parte do Código internacional de sinais e do Código Fonético Internacional.*
Fontes: *WikipediaObs: May Day se torna um trocadilho devido a interpretação "Dia de Maio" ou à chamada radiotelefônica de emergência ou socorro, versão anglicizada do francês m'aider ou m'aidez, que significa "venha me ajudar". Utilizada principalmente nas navegações marítimas e aeronáuticas, faz parte do Código internacional de sinais e do Código Fonético Internacional.*
Posters:http://strikeeverywhere.net/
Tradução: CantoDoMundo
terça-feira, 24 de abril de 2012
Da Servidão Moderna - Jean-François Brient (Documentário)
Posted on by teo.liz.oli
A servidão moderna é um livro e um documentário de 52 minutos produzidos de maneira completamente independente; o livro (e o DVD contido) é distribuído gratuitamente em certos lugares alternativos na França e na América latina. O texto foi escrito na Jamaica em outubro de 2007 e o documentário foi finalizado na Colômbia em maio de 2009. Ele existe nas versões francesa, inglesa e espanhola. O filme foi elaborado a partir de imagens desviadas, essencialmente oriundas de filmes de ficção e de documentários.
"Toda verdade passa por três estágios.
No primeiro, ela é ridicularizada.
No segundo, é rejeitada com violência.
No terceiro, é aceita como evidente por si própria."
Schopenhauer
"Toda verdade passa por três estágios.
No primeiro, ela é ridicularizada.
No segundo, é rejeitada com violência.
No terceiro, é aceita como evidente por si própria."
Schopenhauer
domingo, 22 de abril de 2012
Resumão de História para o Vestibular (Manara)
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Infelizmente, um retrato que me parece bem apurado da realidade histórica da qual somos resultado...
Imagem: History Of Man Kind by Milo Manara
terça-feira, 17 de abril de 2012
Download: O que para alguns era problema, para muitos, hoje é a solução.
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por Teo Oliver
Com medo de perder o monopólio músical e a força formadora de opinião, as gravadoras e artistas adestrados continuam a luta contra o download e compartilhamento....Mas essa luta eles já perderam. Enquanto as gravadoras insistem nesse modelo falido, mais serviços de distribuição de música livre aparecem e mais artistas disponibilizam suas músicas sob licenças abertas.
Muita gente ainda tem essa visão de que o músico ganha dinheiro com venda de cds e direitos autorais...mas isso só é (foi) uma realidade para os que foram injetados na mídia pelas grandes (falidas) gravadoras e afins...e olhe lá.
Agora com o avanço da tecnologia, que barateou os custos de produção, a internet e novos meios de comunicação, abrem-se portas para o artista que é considerado pequeno use essas ferramentas para compor, gravar, mixar, compartilhar, organizar shows e eventos sem o intermediário. Ou seja, ele sozinho consegue gerir a própria carreira. É isso que assusta e escandaliza as grandes corporações, pois elas deixam ter a sua utilidade, ninguém mais depende de gravadoras, mais do que isso, não depende e não as quer. Devido ao grandes desserviço que elas fizeram para a cultura, os artistas já estamos calejados e não temos interesse nesse tipo de negocio que explora a nós e ao público.
Apesar do download ser colocado pela mídia como vilão do mundo cultural, para quem soube aproveitar essa mudança de paradigma, o download e compartilhamento se mostraram como verdadeiras soluções no meio artístico.
Existem uma infinidade de artistas da melhor qualidade que licenciam a sua arte com licenças abertas (Creative Commons, Copyleft, GPL etc) convidando o público a ouvir, compartilhar, modificar e fazer uma troca interessante de ideias e conteúdo.
E assim, a cada dia que passa, a música enlatada e descartável que nos é enfiada goela abaixo vai ser tornando mais irrelevante e menos rentável, o que fortalece ainda mais esse novo modo de pensar, produzir e consumir arte.
E assim, a cada dia que passa, a música enlatada e descartável que nos é enfiada goela abaixo vai ser tornando mais irrelevante e menos rentável, o que fortalece ainda mais esse novo modo de pensar, produzir e consumir arte.
Verdadeiras “bibliotecas” livres tem se formado, por exemplo em sites como Jamendo, FMA (Free Music Arquive) e muitos outros. Artistas e público tem montando suas próprias cenas, rituais, formas de interação e troca, tornando-se cada vez mais independentes da cultura de massa alienante que é vigente nesse momento.
O download e o compartilhamento livre traçam uma ponte solida entre o artista e o fã que transita entre mundo virtual e físico e que contribui sim com o artista comparecendo aos shows e muitas vezes pagando pela música que baixou de graça.
Alguns podem achar que isso é uma utopia, mas existem varios exemplos de bandas que tem feito feito isso e se dado muito bem, inclusive bandas grandes como Radiohead e NIN.
Alguns podem achar que isso é uma utopia, mas existem varios exemplos de bandas que tem feito feito isso e se dado muito bem, inclusive bandas grandes como Radiohead e NIN.
Para entender um pouco mais de como tem se dado essa coisa dos fãs pagarem pela arte sem a obrigação de, vale a pena ler esse texto do BaixaCultura:
Para quem ficou interessado aqui vai uma lista que montei com varios sites que disponibilizam conteúdo livre.
Aqui no blog eu sempre indico artistas que pensam dessa forma, é só ficar experto e acompanhar os posts aqui no Canto...
terça-feira, 10 de abril de 2012
El Efecto - O encontro de Lampião com Eike Batista
Posted on by teo.liz.oli
Música nova do disco novo que esta por vir!
Para quem quiser acompanhar com a letra, tem a legenda no próprio video (clica no CC, ali no cantinho da barra do video) ou para quem preferir, coloquei a letra toda ai embaixo...vale a pena!
Duas coisas bem distintas
uma é o preço, outra é o valor
quem não entende a diferença
pouco saberá do amor
da vida, da dor, da glória
e tampouco dessa história
memória de cantador
Reza a história que num dia
daqueles de sol arisco
o bando de cangaceiros
mais valente nunca visto:
Candeeiro, Labareda,
quem não entende a diferença
pouco saberá do amor
da vida, da dor, da glória
e tampouco dessa história
memória de cantador
Reza a história que num dia
daqueles de sol arisco
o bando de cangaceiros
mais valente nunca visto:
Candeeiro, Labareda,
Zabelê e Mergulhão
Juriti, Maria bonita
Volta-seca e Lampião
Enedina, Quinta-feira
Beija-Flor e Zé Sereno
Lamparina, Bananeira.
Andorinha e o Moreno
Moderno,Trovão, Dadá
Moita Brava e mais Corisco
Pra mó de se arrefrescar
Margeavam o São Francisco
De repente um escarcéu
aperreia todo bando
Um trem vem rasgando o céu
e na terra vai pousando
Do grande urubu de lata
cercado por muitos hômi
desce um gringo de gravata
falando no telefone
Uns hômi tudo de preto
peste vinda do futuro
que pra não olhar no olho
veste óculos escuro
Um se aprochegou do bando
grande pinta de artista
disse com ar de desprezo
muito seco e elitista:
"-Calangada arreda o pé
que agora isso é de Eike Batista!"
A peixeira já luzia
quando o gringo intercedeu
"-Perdoem a grosseria
desse empregado meu
Sou homem civilizado
não gosto de violência
trago papel assinado
prezo pela transparência
A terra de fato é minha
o governo fez leilão
eu que dei maior lance
ganhei a licitação
Não sou nenhum trapaceiro
O que é meu é de direito
mas como bom cavalheiro
lhes proponho um outro jeito"
Chamou Lampião na chincha
prum papo particular
uma proposta de ouro
difícil de recusar
"Vou ganhar muito dinheiro
com um novo agronegócio
emprego teu bando inteiro
ainda te chamo pra ser sócio"
"Tu pode comprar São Paulo
E o Rio de Janeiro
Foto em capa de revista
por causa do teu dinheito
ter obra no mundo inteiro
petróleo, mineração
Mas aqui nesse pedaço
quem manda é o rei do cangaço
Virgulino, Lampião!"
Se tu gosta de X mais um X eu vou lhe dar no xaxado que diz
Juriti, Maria bonita
Volta-seca e Lampião
Enedina, Quinta-feira
Beija-Flor e Zé Sereno
Lamparina, Bananeira.
Andorinha e o Moreno
Moderno,Trovão, Dadá
Moita Brava e mais Corisco
Pra mó de se arrefrescar
Margeavam o São Francisco
De repente um escarcéu
aperreia todo bando
Um trem vem rasgando o céu
e na terra vai pousando
Do grande urubu de lata
cercado por muitos hômi
desce um gringo de gravata
falando no telefone
Uns hômi tudo de preto
peste vinda do futuro
que pra não olhar no olho
veste óculos escuro
Um se aprochegou do bando
grande pinta de artista
disse com ar de desprezo
muito seco e elitista:
"-Calangada arreda o pé
que agora isso é de Eike Batista!"
A peixeira já luzia
quando o gringo intercedeu
"-Perdoem a grosseria
desse empregado meu
Sou homem civilizado
não gosto de violência
trago papel assinado
prezo pela transparência
A terra de fato é minha
o governo fez leilão
eu que dei maior lance
ganhei a licitação
Não sou nenhum trapaceiro
O que é meu é de direito
mas como bom cavalheiro
lhes proponho um outro jeito"
Chamou Lampião na chincha
prum papo particular
uma proposta de ouro
difícil de recusar
"Vou ganhar muito dinheiro
com um novo agronegócio
emprego teu bando inteiro
ainda te chamo pra ser sócio"
"Tu pode comprar São Paulo
E o Rio de Janeiro
Foto em capa de revista
por causa do teu dinheito
ter obra no mundo inteiro
petróleo, mineração
Mas aqui nesse pedaço
quem manda é o rei do cangaço
Virgulino, Lampião!"
Se tu gosta de X mais um X eu vou lhe dar no xaxado que diz
Se tu gosta de X mais um X eu vou lhe dar no xaxado que diz: Chispa!!
E até o velho Xico cantou pra todo mundo ouvir:
Hay que, hay que, Eike, hay que, hay que, hay que resistir!
Duas coisas bem distintas
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créditos:
letra e música:
el efecto
vozes:
tomás rosati
bruno danton
diogo furieri
bateria:
tomás rosati
guitarras:
bruno danton
pablo barroso
baixos:
eduardo baker
alexandre guerra (fretless)
percussão:
bernardo aguiar
flauta:
karina neves
coro:
carolina thibau
conrado kempers
dandara catete
iuri gouvêa
karina neves
letícia catete
polly vieira
uirá bueno
gravação e mix:
tomás alem (estúdio músika)
edição de vídeo:
iuri gouvêa
uma é o preço, outra é o valor
quem não entende a diferença
pouco saberá do amor
da vida, da dor, da glória
e tampouco dessa história
memória de cantador...
quem não entende a diferença
pouco saberá do amor
da vida, da dor, da glória
e tampouco dessa história
memória de cantador...
....................................
via descrição do video:
Com grande satisfação, apresentamos um primeiro resultado do que virá por aí no nosso novo disco. Trata-se de um registro de gravação da música "O encontro de Lampião com Eike Batista", mesclado também com algumas cenas de ensaios. A música ainda não está totalmente finalizada, mas pensamos que já funciona como uma boa prévia e por isso gostaríamos de compartilhá-la com os interessados. Disponibilizamos, junto com o vídeo, a letra no formato de legenda. Para habilitá-la, basta acionar o botão "cc" no canto inferior direito.
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créditos:
letra e música:
el efecto
vozes:
tomás rosati
bruno danton
diogo furieri
bateria:
tomás rosati
guitarras:
bruno danton
pablo barroso
baixos:
eduardo baker
alexandre guerra (fretless)
percussão:
bernardo aguiar
flauta:
karina neves
coro:
carolina thibau
conrado kempers
dandara catete
iuri gouvêa
karina neves
letícia catete
polly vieira
uirá bueno
gravação e mix:
tomás alem (estúdio músika)
edição de vídeo:
iuri gouvêa
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Mr. Foley
Posted on by teo.liz.oli
Mr. Foley from D.A.D.D.Y on Vimeo.
Um sombrio e engraçado cenário, mas de pesadelo, um homem acorda no hospital com um grupo de artistas sonoros sonorizando sua vida. Foley é um premiado curta-metragem dirigido por Dublin dirigindo duo Mike Ahern & Enda Loughman aka D.A.D.D.Y. O filme esteve no circuito de festivais por um tempo, mas acaba de estrear on-line para que todos possam ver, YAY!
A darkly funny but nightmarish scenario, a man wakes up in hospital with a group of sound artists soundtracking his life. Mr Foley is an award winning short film directed by Dublin directing duo Mike Ahern & Enda Loughman aka D.A.D.D.Y. The film has been on the festival circuit for a while but has just premiered online for all to see, YAY!
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Licenciamento flexível e os novos canais de distribuição de música
Posted on by teo.liz.oli
Texto retirado do site Cultura Livre, por CTS e blog do projeto Estrombo (CTS/FGV, Sebrae, BID e Facebook)
Dentre as mudanças que acontecem na cadeia produtiva da música em decorrência de avanços tecnológicos, uma consiste nas novas maneiras de licenciar os usos da produção. Através de licenças públicas como a Creative Commons, por exemplo, o artista pode estipular e comunicar previamente os usos permitidos à coletividade, de acordo com sua vontade.
por CTS
Dentre as mudanças que acontecem na cadeia produtiva da música em decorrência de avanços tecnológicos, uma consiste nas novas maneiras de licenciar os usos da produção. Através de licenças públicas como a Creative Commons, por exemplo, o artista pode estipular e comunicar previamente os usos permitidos à coletividade, de acordo com sua vontade.
Flexibilidades como esta mostram-se bem-vindas quando consideramos os novos canais de distribuição baseados na internet. Se um dos problemas apontados pela indústria fonográfica é o tráfego irrestrito e fora de controle de músicas protegidas por direitos autorais, com licenças como a Creative Commons, os artistas podem liberar determinados usos e dispor suas condições para outros usos de suas músicas (como o uso para fins comerciais, por exemplo), se beneficiando do tráfego de bens culturais digitais na rede. Hoje, são milhões os livros, imagens e obras musicais que circulam livremente pela internet através dessas licenças. Um desses trabalhos é o álbum Metá-Metá, de Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci, que vem ganhando resenhas bastante positivas ao longo do ano. Confira a entrevista abaixo com Kiko Dinucci.
Por que optar pela licença Creative Commons?
Optei pela CC por ser uma alternativa a mais, é lógico que não sou fã de ter que haver um modelo internacional pra liberar a minha obra para ser ouvida por qualquer um, mas é a melhor opção em contrapartida dos gastos dos modelos antigos de direitos autorais. Foi importante botar o selo no site, deixou as pessoas à vontade para baixar e compartilhar, para os blogs espalharem a minha arte. Minha arte foi nitidamente espalhada, meu público aumentou com isso. Fiz um show em Brasília na semana passada e a maioria do público cantava as músicas, vendi CD depois do show muito mais do que venderia em lojas, pra mim está tudo certo. A música grátis é o meu veículo, é minha rádio. Atiro minha garrafinha no mar e alguém sempre acha e lê o recado que eu deixei lá dentro.
Foi também por esse motivo, aumentar a circulação da música, que o Metá-Metá se associou ao aplicativo Bagagem?
O que mais me chamou a atenção no Bagagem era a opção de um novo formato digital, que de certa maneira recuperava a estética visual das capas dos discos e encartes. Quando o CD ganhou popularidade, era horrível ver capas como a “Sargent Pepper’s” apenas diminuídas, o CD demorou pra desenvolver a sua linguagem visual. A música digital também passa por essa crise. Achei sedutor de ter coisas visuais em volta da música, não como clipe e sim como continuação do disco. Os nossos amigos do Axial já estavam lá e ficamos fascinados com tudo e resolvemos aderir ao Bagagem. O aplicativo ajudou muito na divulgação do trabalho também, porque não era somente um disco MP3 pra baixar, tinha todo um universo lá dentro, outros grupos e tal.
Você acredita que esses novos canais de circulação e formas de licenciamento livre estão renovando a maneira de fazer negócio com música?
Tenho certeza disso, pelo menos pra mim, um artista independente, que estou acostumado a fazer por mim mesmo, sem atravessadores. Mas acredito que tudo está se renovando no mercado. As coisas “no mundo” estão mudando, muda quem quer. Na Europa, por exemplo, eles não estão acostumados em disponibilizar cultura na rede, gratuita, eles pagam para consumir cultura. A cultura livre aqui no Brasil não é 100% livre também, mesmo eu licenciando minha obra dessa maneira, você terá que pagar a rede, o provedor etc. O fato de minha obra circular livremente na rede foi o que me tirou do anonimato, tenho certeza disso. Se o único modelo fosse o dos anos 90 pra trás eu não teria gravado nenhum disco ainda. Pra mim, o licenciamento livre significa a minha única alternativa de sobrevivência, claro que gostaria de ganhar por downloads, ter cachês maiores, mas no meio de tanta crise e transformações econômicas eu estou conseguindo sobreviver. Não sei até quando, mas o movimento a favor da minha arte é crescente, lento, mas crescente.
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Como mencionado pelo músico, o aplicativo Bagagem, concebido por Felipe Julian do Projeto Axial, atualiza os aspectos visuais dos formatos musicais físicos para as redes digitais. A obra do Axial também é distribuída sob licença Creative Commons e, na semana passada, o mais recente álbum da banda ganhou também uma versão física: o livro-cd Simbiose. Felipe explica o novo lançamento como “uma certa necessidade de retorno aos objetos, como compensação à virtualização das coisas”: “O objetivo foi criar uma experiência sensorial, onde os dois produtos são independentes, mas também complementares”, contextualiza o músico. E completa ao afirmar que o CD deve ser também uma experiência artística e não um objeto descartável. Por enquanto, o livro-cd Simbiose é vendido somente pela recém-inaugurada loja online do Projeto Axial.
Entre nessa discussão. Baixe o Bagagem e conheça mais sobre as licenças Creative Commons.
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