quinta-feira, 14 de março de 2013

Homenagem às Mulheres

Texto e foto gentilmente cedidos por Claudia Regina...



I feel like a woman

Ela acorda cedo sem nenhuma remela no rosto, toma um banho cheio de espuma e vai tomar café da manhã em uma mesa com frutas, sucos e iogurtes que fazem bem para o intestino.
Ela tem uma casa toda branquinha, uma família toda branquinha, com roupas todas branquinhas.
Ela coloca um terninho e um óculos e vai pro escritório no seu carro do ano.
Ela vai depois do trabalho para a academia, faz compras e, ao chegar em casa, passa veneno contra insetos (e ainda tem sol lá fora!)
Ela vira uma mulher fatal quando a noite cai: coloca uma lingerie e solta o cabelo que está sedoso graças aos shampoos maravilhosos que usa.
Ela, é claro, ainda vai pra cama fazer 10 posições sexuais diferentes com o marido musculoso e goza 13 vezes.
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Hoje é o dia da mulher. E hoje as revistas parabenizam as mulheres descritas acima. Quero aproveitar o embalo para falar sobre as mulheres também. Mas não essas aí. Quero falar daquelas mulheres que existem:
Aquelas que acordam quando ainda tá de noite, lá na região metropolitana, comem um pão com margarina e um café com leite, pegam ônibus e vão trabalhar de calça jeans e cabelo molhado.
Aquelas que chegam em casa quando está escuro e não podem brincar com as crianças no quintal todos os dias.
Aquelas que não têm quintal. E aquelas que não têm crianças.
Aquelas que gostam dos seus homens. Aquelas que gostam de suas mulheres. E aquelas que gostam da solidão.
Aquelas que não têm tempo, todos os dias, de passar cremes pelo corpo. E aquelas que não têm dinheiro para comprar cremes.
Aquelas que não vivem com as unhas longas e sexies porque lavam a própria louça.
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Ser mulher hoje no Brasil é ser julgada. Somos julgadas quando usamos uma roupa muito sexy. Somos julgadas quando decidimos não depilar as axilas. Somos julgadas quando decidimos ser programadoras ou pilotas de avião. Somos julgadas quando queremos ser chamadas de presidenta, e não presidente.
Ser mulher, desde sempre, é andar na rua não nos importando que levem nossa carteira, e sim que nos estuprem.
Ser mulher é foda.
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Merecemos muito mais do que um “parabéns”.

Fonte: http://blog.claudiaregina.com/i-feel-like-a-woman


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