quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Comentario sobre o Desabafo do espaço Walden

por Teo Oliver

Você pode ver o Desabafo que o Espaço Cultural Walden colocou no facebook neste link:


https://www.facebook.com/notes/espa%C3%A7o-cultural-walden/momento-desabafo/606166599406330




E eis aqui o meu comentario de apoio a eles:

Todo o sistema de música esta errado em São Paulo, o publico quer fogos de artificios, meninos bons moços e meninhas atrantes. A música e o "compartilhar" é o que menos importa. As bandas que tem dinheiro, pagam pela hora de palco em "barzinhos" mais atrantes e de certa forma, pagam pelo seu proprio publico.

Nunca fui no Walden, mas pelos comentarios que ouço a cada tanto, me parece ser um dos poucos lugares, que ainda abre espaço para bandas novas, músicas novas e novas formas de pensar a música e interação. Mesmo que com uma limitação bem grande recursos e espaço.

Espero logo mais ve-los de perto, quem sabe trocar algumas ideias para fazer o espaço se tornar mais independente ainda e com um publico que se interesse por música. Um publico que esteja a fim de novas experiências e conhecer novas coisas. E não apenas aquele publico formado pelos amigos das bandas, que são sim muito importantes, mas que muitas vezes (quase sempre) vão num show para ver apenas os amigos músicos, mas que vão embora quando a proxima banda entra. Pior ainda, são os próprios músicos que não valorizam as bandas que entram antes ou depois e compartilham aquela noite com eles.

Temos que criar uma nova cena em São Paulo...reaprender a ouvir música ao vivo. Quem sabe até trocar a semantica de algumas frases. E talvez não mais sairmos de casa para VER um show, mas sim para OUVIR um show.





3 comentários:

Mateus O. Fernandes disse...

Olá, Teo!

Concordo em tudo o que você escreveu.
Frequento o Walden e outras casas que incentivam a música alternativa e percebo exatamente o mesmo que você.

O problema: O público reclama que não tem nada de novo e as bandas alternativas reclamam que não tem público.

Primeiro que, fico puto com pessoas que me dizem que não há nada de novo no cenário nacional, pois acho que tem muita coisa legal acontecendo.

Segundo que, mesmo com tantas bandas criando coisas novas, as atitudes da maioria dessas bandas são burras, sim burras que pioram com os egos inflados. Todas querem público, mas esquecem que para se TER público, primeiro tem que SER público. Se quer que tenha uma cena, tem que apoiar a cena.

Mas o que é uma cena? O que compõe uma cena alternativa?

A minha opinião é que não existe uma cena em São Paulo, são só pequenos grupos de pessoas e algumas casas que lutam para que ainda possamos ter acesso à música alternativa. Há pouquíssima interação entre as bandas pra podermos chamarmos de cena. Meia dúzia de amiguinhos e parentes da banda que só conversam entre si não é cena.
São poucas as bandas que querem conhecer o trabalho de outras, conhecer as referências, tomar uma cerveja juntas e discutir empreendedorismo cultural, possibilidades de parcerias, coisas além da música. Pra mim cena é interação, interação entre bandas, entre banda e público, é união de forças. Cena é além da música e as bandas precisam saber disso. (como?)

São Paulo tem uma porrada de gente sedenta pra conhecer coisas novas e tem um monte de banda fazendo coisa legal.

Não está faltando público, está faltando interação, união. Uma cena de verdade.

O que vocês acham?

Danilo Viana disse...

São Paulo está acabando em termos de shows. O espaços estão fechando, grandes ou pequenos. O Espaço Impróprio fechou uma vez, voltou, não sei se continua aberto, até onde eu sei tá fechado.
Studio SP fechou por causa da "especulação imobilíaria". Até o Via Funchal que era uma boa casa de shows vai virar prédio.

Existem poucos espaços como Walden. Por isso o pessoal do TEST faz show numa Kombi. Os caras pegam a Kombi, botam um gerador, vão pra algum lugar, montam a bateria e a guitarra e tocam.

Hoje a oferta de shows dos grandes nomes da música gringa é gigantesca. Todas grandes bandas estão passando por aqui e mesmo com preços exorbitantes a galera vai em massa, ingressos esgotam em horas. Agora com a possibilidade de ver as grandes bandas, não interessa mais ver as pequenas.

Tá tudo zuado.

teo.liz.oli disse...

Eu concordo plenamente com você Matheus O. Fernandes.

Nem se quer as proprias bandas querem se juntar para fazer alguma coisa que valha a pena.

Eu ja tentei e muito juntar bandas, fechar espaços culturais, mas sinseramente, muito mais do que má vontade dos espaços, eu vejo má vontade nas proprias bandas.

Todo mundo quer tocar, desde que não tenha que trabalhar para isso.

Quer dizer, é aquele velho sonho, do adolescente que fica tocando guitarra em casa, e acha que a banda dele vai ser descoberta por um grande produtor/empresario, e dessa forma ele vai sair da cama do quarto dele, direto para os maiores estudios e festivais do mundo.

Isso é errado por dois motivos:

1. Você não vai ser achado/visto por ninguem tocando no seu quarto, ou pagando para tocar em casinhas "agradaveis" em são paulo.

2. Por que é que alguem quer ter um empresario? Ser famoso? Tocar em grandes estudios e festivais? Existe toda uma cultura da celebridade que todo mundo compra e acha legal sem pensar. Eu acho tudo isso um nojo.

Não me entenda mal, é logico que eu gostaria de gravar em estudios de alta qualidade e tocar em grandes festivais. Mas não pagando o preço que se paga para isso. Que é ter um produtor/empresario por tal, que compra a sua passagem para o sucesso, e um sucesso falso, artificial. Além disso, ainda você abre mão da sua integridade artistica, dos seus ideias e etc, para poder gravar um disco, que quando você ouvir, vai perceber que pouco do que você é esta la dentro.

Por outro lado o Publico, especialmente em São Paulo, que assitir um extensão da novela da Globo nos palcos, com meninos e meninas bobinhos tocando mal e sem nada para dizer.