segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Por que a minha música é livre.

Por Teo Oliver


Eu sou o resultado de todas as experiências que vivi. A minha originalidade, se é que originalidade existe, não esta nas nas minhas criações, pois tudo o que eu criei, nada mais é do que uma junção, uma remixagem, uma remodelagem ou reorganização do todo os elementos que fui juntando destas experiências. O valor do meu trabalho, está justamente na forma como eu remonto aquilo que vivi para formar, ai sim, algo novo. Isso não se aplica apenas a mim, isso se aplica a todos os seres humanos e a todas as areas do conhecimento, seja ela humana ou exata, política, cientifica ou cultural.
Esqueçamos o mito da criação como algo divino, uma espécie de incorporação mística. Ela não vem do nada, não vem de um momento de inspiração divino, revelação ou iluminação. Eu sei que tudo o que faço, vem das minhas influencias diretas ou indiretas. Vem daquilo e daqueles que vieram antes de mim. Compor, tocar, fazer música, sons e ruídos (se é que existe diferença entre uma coisa ou outra) é a minha forma de colaborar, construir e reconstruir algo para o lugar e tempo que vivo.
Eu não criei as notas nem os acordes, não criei o computador nem as palavras, eu não criei a música nem os livros, não criei a guitarra, o baixo, a bateria, o piano, a orquestra, eu não programei os softwares, nem construí o hardware que uso para compor, gravar e mixar. No entanto, eu me utilizo de tudo isso para fazer a minha arte.
Sendo assim, como poderia eu, limitar o acesso à minha construção? Cobrar direitos autorais e travar a minha música, seria dizer algo do tipo: Eu cresci e construí a minha vida e trabalho com base em todo o conhecimento que veio antes mim além de inúmeras experiências que dividi com tantas outras pessoas, mas você que não ouse fazer o mesmo com a minha música, com a minha arte, eu sou especial, só eu sou especial! Você?...você não é. Eu posso beber de todas as fontes disponíveis para construir algo, mas ninguém pode beber da minha.

Nada do que faço o é original, e ao contrario do que possam pensar, eu tenho muito orgulho de dizer isso. Tenho orgulho de dizer que tudo o que eu faço é uma soma de tudo aquilo que veio antes de mim, e é dessa forma que eu contribuo com a arte e me comunico. É dessa forma que eu penso e repenso o mundo. E é da mesma forma que eu copio, refaço, remixo a arte dos outros que eu de ante mão, deixo autorizado e encorajo que todos usem a minha arte ou qualquer coisa que eu tenha feito*

É um prazer compartilhar o que eu faço. O acesso a cultura deve ser livre, todos nos fazemos parte da mesma historia, todos nos somos donos de toda produção cultural que veio antes e que vira depois da nossa.

Obs:*Infelizmente, neste momento, mantenho uma postura de não autorizar que minhas (re)construções sejam utilizadas para fins comerciais e/ou restritivos. Admito, que dessa forma, não estou deixando minha arte 100% livre, mas isso é um assunto para um novo texto, no qual explicarei o por que dessa postura. Mas resumindo e sendo bem direto, não quero minha música em peças publicitarias nem utilizadas por pessoas que não concordam que a arte deve ser livre e que restringem o acesso ao produto final deles.

0 comentários: